Behind the scenes: tragicomédia da vida atlética

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00001 Muita gente de fora do esporte só tem contato com a parte bonita: fotos bacanas, histórias de superação, emoções de conquistas. É também verdade que aparecem algumas histórias de “fracasso” e alguns mimimis. O verdadeiro “behind the scenes” do dia a dia raramente é compartilhado, mais raro ainda é fazer dele um momento de tragicômico! Certamente, daria um livro de “tragicomédia da vida atlética”. O pedal de ontem foi um baita capítulo de “Behind the scenes: tragicomédia da vida atlética”. Vamos a ele.

Passamos a semana programando este pedal do dia 2/nov. A ideia era fazermos um pedal longuinho no sábado, mas plano, já que não andamos quase nunca no plano. E aproveitaríamos o feriado para fazermos um longo de montanha.

Alguns não puderam ir no sábado, fiz 120k na roda de um amigo ciclista italiano, 100% plano. Encontrei dois outros amigos da Elite Bike no meio do treino: Fernandinha e Robson. Sábado à tarde e noite, depois do pedal, foi dia de confraternização da galera da Elite Bike.

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Eu e Luca

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A galera da Elite Bike

Domingo fiz o planejado: corri e nadei. Estava preocupada com o pedal de segunda, afinal, tinha em mente que teríamos 6h de pedal de montanha e é sempre sofridinho. Cuidei da alimentação e da hidratação pra não fazer feio na segunda.

Vamos ao dia D: o Montanha tinha que voltar cedo do pedal, então combinamos de começar por lá às 6h. O “lá” fica a quase duas horas de carro da minha casa. Acordei às 2h50 para arrumar as tralhas do pedal, prefiro arrumar pela manhã. Coloquei diversos despertadores para não correr o risco de perder a hora.

Montanha tinha perguntado se não poderíamos pedalar mais perto porque ele teve campeonato de natação e estava cansado demais. Respondi sem chance de flexibilização: “Não! Já combinamos com os meninos de lá, não podemos desmarcar!”. Pela manhã, Montanha mandou mensagem para nosso grupo: “Tudo certo? Está chovendo bem por aqui!”. Matias, morador local de onde pedalaríamos, respondeu categórico: “Tranks! Choveu à noite, mas o tempo tá firme!”.

Antes de começar a contar vou mostrar umas fotos do que eu tinha em mente:

 

Ao sair de casa, às 4h, levei um susto: a pista estava completamente molhada e ainda chovia. Mas como o local ficava a 120k dali, nem me preocupei demais. Encontrei com o Montanha no meio do caminho e fomos nos seguindo. Até sair da estrada principal, sem grandes emoções, apenas absolutamente escuro e chovendo. Ao sair da estrada principal, começou a emoção.

Pensa num local com nada além de um pedaço de asfalto e mata. Agora acrescente uma neblina absurda. Um pouco de chuva. Seguimos por este cenário. De vez em quando passávamos por dentro de microcidadezinhas. E voltávamos para estradas absolutamente desertas, sem iluminação, sem nada. 

bebe careta susto[7]Eu estava com os olhos arregalados, na tentativa de enxergar o máximo que poderia. Em algum momento, avisto uma placa: “Bem-vindo à Miguel Pereira, a cidade da luz e do oxigênio“. Pensei comigo mesma: cadê a tal da luz? Eu estava rindo de chorar a esta altura. Pensava comigo mesma que o Montanha estaria me xingando demais, sem entender que buraco era aquele que eu o estava levando.

Ali começou o ponto de maior emoção: começamos a subir a Serra de Miguel Pereira. Eu não enxergava nada. comecei a dirigir a 20-30km/h. Abri os vidros, coloquei a cabeça pra fora. E o Montanha me seguindo. Estão recapeando a estrada e não há qualquer sinalização na estrada. Farol alto piorava a situação, farol baixo não via nada. Comecei a achar que eu estava cega. Num determinado momento, parei o carro, não sabia mesmo qual direção seguir. E rindo pela situação.

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Eu e Montanha no meio da neblina! Acredite: estamos nesta foto!

Bem, lentos como cágados, chegamos ao local combinado. Um pouco atrasados, ninguém poderia prever minha velocidade de cágado na direção. Estacionei o carro, abri o vidro. Eu e o Montanha rimos como crianças. Choramos de rir, até que os locais Matias e Fabio chegaram.

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Entrada de Miguel Pereira, já pela manhã

Matias foi logo soltando: “Trouxe o Fabinho porque vocês não acreditariam em mim! Eu juro que não estava chovendo”. Rimos todos. Fomos tomar um café na padaria, ainda na esperança de que o sol sairia e nos deixaria pedalar. Nada feito. Nem a chuva nem a neblina deram trégua. Decidimos abortar, enfim.

Paramos para tirar fotos, ao melhor estilo “Bruxa de Blair”. Ainda conseguimos encontrar um treco bizarro no mato, uns tridentes sinistros.

Voltamos pra casa, consegui convencer o Montanha de fazer spinning comigo na academia. Não consegui a liberação dele pra fazer a aula. Mais uma bola fora com Montanha. Que fase!

Acabei fazendo 3 aulas de spinning. Até que foi bom: reencontrei alguns amigos por lá e pedalei ao lado do Chicco Joe, figura conhecida no mundo do triathlon!

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Almocei sozinha, lá pelas 16h. Cheguei em casa, li e fui dormir. Dormi cedo. Que dia! kkkkk

Um resumo do dia:

  • 2h50 acordei
  • 4h sai de casa
  • 5h às 6h10 emoção pura na escuridão e na neblina
  • 6h10 chegamos ao local de partida
  • 6h10 às 7h30 café, fotos e gargalhadas com Matt, Montanha e Fabinho
  • 7h30 às 9h20 volta pra casa
  • 9h20 às 10h a caminho da academia
  • 10h às 10h15 frustração pela negativa da entrada do Montanha
  • 10h15 às 13h10 spinning
  • 13h10 às 16h banho, translado pro restaurante
  • 16h às 17h30 almoço
  • 17h30 às 19h30 livro
  • 19h30 às 6h sono

Algumas coisas fortalecem os músculos. Outras fortalecem a mente. Outras fortalecem o que julgo o mais essencial: laços de amizade e a certeza de que amamos demais o esporte. Apesar de parecer um dia que “muita coisa deu errado”, tenho certeza de que lembraremos e riremos muito dele. Porque não é apenas uma bicicleta. 

Amiguinho (Montanha), Matt, Fabinho: muitas histórias ainda virão. Incluindo mais horas de pedal que de direção! Mas já sabemos que se algo sair errado, se as coisas fugirem do planejado, vamos nos divertir de qualquer forma! E é isso que faz tudo valer muito a pena!

Eu já tinha escrito um texto que conta um pouco do que vivemos, um dos meus textos mais comentados no Papo de Esteira: Behind the scenes: vida de atleta não é mole!

Cultive a presença de pessoas que valham a pena. Sempre.

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