Em busca do KISS: keep it simple, stupid!

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Se você já conhece o “KISS: keep it simple, Stupid!”, sabe o poder desta filosofia. Se não conhece, acho que há um enorme espaço para ter uma vida mais leve, mais simples e com mais tempo para o que importa. Bem, a teoria é simples! A prática é que é complexa! Hehehe…

Desde os primórdios da minha vida no esporte de endurance, sempre tentei me aproximar da perfeição de tudo o que eu acreditava que dependia exclusivamente de mim: alimentação, planilha, ritmo do treino, suplementação, horários, intervalos, rotinas, locais, profissionais.

Isso era tão somente o reflexo de características minhas, de quem sempre teve a disciplina espartana, a determinação de seguir em frente e a vontade de controlar todas as variáveis.

Durante muito tempo tive o maior orgulho de levar lata de atum e maçã desidratada para o churrasco da galera, de jamais comer o biscoitinho que acompanhava o café, de nunca ceder à minha louca paixão por queijos!

Por anos e anos, comprei atritos ferrenhos pela hora exata das refeições, afinal de contas, não poderia ficar mais de 3h sem comer, nem comer perto demais do último lanchinho.

Adorava o exercício da disciplina de não tomar sequer um “gelato” quando estava na Itália! Afinal de contas, nada, absolutamente nada, justificava sair da dieta. 

Com o passar dos anos, a coisa foi se reforçando, as restrições, as rotinas, a rigidez foram ganhando mais e mais espaço. Não seria surpresa se eu dissesse que isso passou a ser uma característica minha, reconhecida pelas pessoas que me cercam. Uns admirando, outros de saco cheio de mim! =)

Para minha sorte, sem que eu tomasse alguma decisão mais formal, eu comecei a dar uma flexibilizada! Meio que sem perceber muito, comecei a abrir espaço para o “agora”, para a minha vontade! Desde sempre fui capaz de abdicar do hoje para buscar o amanhã! Abrir mão do meio para chegar no fim. 

Naturalmente, passei a sair da linha de vez em quando! A fazer o que a vontade queria e não o que a vontade de controlar queria que eu fizesse. E o mais interessante: sem me culpar, sem nem mesmo fazer de forma consciente.

Recentemente, um tijolo caiu na minha cabeça: pra que eu fazia o que eu fazia? Quando eu parei pra refletir o que estava acontecendo na minha vida, vi que eu estava sendo | fazendo algo que jamais fui capaz! Algo impensável: optando pelo prazer ao invés da disciplina.

Seguindo o conceito de tensão do Nilton Bonder, minha reflexão é: qual é a tensão certa pra você entre prazer (o “bom”, o hoje) e a disciplina (o “certo”, o amanhã)?

Por todos os anos que vivi no esporte, o certo sempre me guiou: sempre fiz o que tinha que ser feito. Obviamente, isso impactou muitas das dimensões da minha vida. Trouxe um peso e um consumo de energia desnecessários à minha rotina!

Não estou falando que agora tudo é de qualquer jeito, alimentação caótica, treinos perdidos. Nada disso! Isso é o que minha mente imaginava que eu me tornaria se um dia eu fosse um pouco menos radicalmente disciplinada. Simplesmente, agora as coisas são mais leves! 

Agora me sinto mais feliz quando não me destaco (tanto) pela estranheza da disciplina. Uma lição interessante foi que eu jamais me tornarei uma pessoa indisciplinada por, de vez em quando, sair da linha. 

Sei que parece besteira, mas os que têm demanda alta por controle, acreditam verdadeiramente que 99% de controle é o mesmo que 0%, como se o trem fosse descarrilhar pra sempre!

E é aí que entra o KISS! Parei com esta coisa de levar comida pra lá e pra cá. No dia a dia, a gente consegue controlar se tiver boa vontade! Não será aquele jantar ou aquela festa que vai acabar com a dieta.

Suplemento: quando não tem em casa ou quando estou sem saco de levar, não levo sem grandes traumas. Não é o ideal, mas um dia ou outro, não mata! Tem dias que estou sem saco de preparar tudo, então não preparo! Easy!

Tenho respeitado cada vez mais o que está me fazendo feliz: está sem saco de correr? Dá um tempo na corrida! Está desanimado com os tempos? Corra sem relógio! Não aguenta mais nadar na piscina? Vai nadar no mar!

O ótimo e o perfeito podem ser inimigos do bom e do perene! Como minha missão é treinar pra sempre, quanto mais leve, simples e feliz, melhor!

Não pense que tem sido fácil! Meu instinto é controle total e absoluto! Lidar com a certeza de que não controlo nada, não é das coisas mais fáceis! Por outro lado, é libertador pensar que posso dar ouvidos ao que quero hoje! Agora! 

E também é perturbador assumir que passei muito tempo pensando que “errados são os outros que me criticam na esquisitice”! Eis o lado bom de envelhecer: vamos evoluindo, amadurecendo, aprendendo, nos libertando as amarras que nós mesmos nos impomos! 

Otávio, especialmente pra você! Atendendo seu pedido por um texto! Ótima semana a nós!

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